terça-feira, 12 de fevereiro de 2008


São Paulo, 07 de Fevereiro de 2008

SANEAMENTO

- Apenas 48% da população tem acesso a rede de esgoto

O Brasil ainda está longe de levar serviços de saneamento básico a todos os habitantes, sobretudo no que se refere a esgotamento sanitário. Segundo diagnóstico realizado pelo Ministério das Cidades, com base em dados de 2006, somente 48,3% da população conta com redes de coleta de esgoto. Menor ainda é o percentual de tratamento. Apenas 32,2% do esgoto que se coleta é tratado no Brasil. Quanto ao abastecimento de água, a situação é melhor.

As redes de água potável já atendem a 93,1% da população. O diagnóstico mostra ainda que foram efetivamente investidos em saneamento R$ 4,5 bilhões em 2006, um avanço em comparação a anos anteriores. Em 2002, por exemplo, foram só R$ 2,8 bilhões.

'Fonte: Valor Econômico

terça-feira, 15 de janeiro de 2008

O novo bio-fóssil-combustível

Para ajudar no esclarecimento, conversei com o engenheiro mecânico Thomas Fendel – expert no assunto. O que é vendido como biodiesel brasileiro, explicou-me Thomas, vem a ser a mistura de muito diesel fóssil (derivado do petróleo) com um pouquinho do produto final oriundo de uma "sopa" de óleo vegetal (ou outra gordura natural), mais etanol (ou metanol) e soda cáustica (ou outra base ou ácido). O preparo desta "sopa" passa por um oneroso processo da transesterificação, que envolve aquecimento, retirada da glicerina e adição de aditivos para estabilização da mistura química.

Hoje, as regras brasileiras - muitas elaboradas pela ANP/Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis - determinam que o resultado desta "sopa" seja misturado ao diesel fóssil na proporção de - apenas - 2% (percentual que se tornará obrigatório a partir de 2008). Ora, isso significa que o uso desse novo bio-fóssil-combustível, com 98% de componente fóssil, continuará emitindo componentes nocivos ao meio ambiente... quase mesma proporção do óleo diesel.

Alguns fabricantes de máquinas já aceitam o índice de 5%, como é o caso da Massey Ferguson, cuja frota está apta ao uso de B5 (5% de biodiesel + 95% de diesel fóssil). Não lhes parece, caros leitores, que isso pouco ajuda no combate ao aquecimento global e na defesa do meio ambiente?

Mercado do Biodiesel

Para Fendel, o ‘biobobo’ (quem o conhece sabe que é assim que ele denomina esse produto) é uma falácia. Ele insiste em afirmar que todo esse processo poderia ser evitado, gerando mais lucro para o produtor do óleo vegetal: qualquer motor diesel aceita "trabalhar" diretamente com óleo diesel + 20% de óleo vegetal qualificado, sem necessidade de adaptações mecânicas ao motor.

O pai do Proálcool, Bautista Vidal, também defende a utilização direta de óleo vegetal em motores, em detrimento do biodiesel, porque já existe tecnologia para tanto. E entende que o Programa Nacional de Biodiesel apresenta graves erros:
"Temos que usar o óleo. Por que produzir o biodiesel, se isso encarece o processo e o óleo é melhor?"

No Brasil, o mercado deste novo produto – rotulado enganosamente como milagroso – ganhou expansão a partir de maio de 2006. A Petrobras já conta com 10 produtores de biodiesel, e o número deve crescer para 23 até o final de 2007.

Nem todo biocombustível é biodiesel

Biodiesel é apenas uma espécie de biocombustível. E a mídia gera confusão ao tratar do tema: repassa-nos a idéia de que o biodiesel é o mesmo óleo vegetal extraído das oleaginosas. Mas não se trata disso, como explicou Fendel. Mas o incentivo do uso de biocombustíveis que colaborem para o esfriamento do planeta é altamente salutar para
o meio ambiente, para o mercado do agronegócio e para o bolso do agricultor.

Claro que a falta de produção de oleaginosas leva à falta de matéria-prima. Por isso, é preciso que suas vantagens sejam divulgadas:

  • o biocombustível é produzido a partir de matéria-prima vegetal renovável – soja, pinhão manso, macaúba, babaçu, dendê, girassol, mamona e outros – ao contrário dos combustíveis fósseis;
  • sua produção provoca o "esfriamento global";
  • a utilização do biocombustível na própria frota dos veículos dos produtores representa economia direta no bolso: sem gastos na compra de óleo usado nas máquinas haverá, em decorrência, redução dos custos de produção.

Mas temos poucos exemplos destas iniciativas. Na verdade, os estudos sobre a produção do biocombustível ainda não saíram totalmente do papel. E a estrutura necessária para a produção do produto final exige investimentos e conhecimento técnico.

As regras do jogo no Brasil

Os produtores que misturam o óleo vegetal ao diesel ou que usam somente o óleo vegetal são tratados como bandidos pelo fato de estarem exercendo o direito de produzir o seu próprio combustível. São assustados com os supostos perigos de dano ao motor dos tratores e das colheitadeiras, e da alteração negativa de rendimento
deste maquinário. As grandes companhias de distribuição – manipuladas pelas transnacionais do petróleo – estão preocupadas com o mercado clandestino do biocombustível, óleo vegetal que alimenta motores de caminhões
e de máquinas agrícolas, principalmente na Região Centro-Oeste do país. E já acionaram a ANP que, por sua vez, está fiscalizando esse "uso clandestino" e punindo os "fora-da-lei".

Por que isso ocorre? Por dinheiro e nada mais. As grandes distribuidoras estão perdendo volume de mercado. Estão deixando de vender o ‘bobodiesel’ para o agricultor que descobriu que pode usar o óleo vegetal que produz no motor do seu trator ou caminhão. Para o professor Adriano Benayon, doutor em Economia e autor do livro Globalização versus Desenvolvimento (Escrituras Editora, 236 pp., 1ª edição), as pequenas usinas de biocombustíveis terão
dificuldades para prosperar no Brasil enquanto aqui vigorar a regulamentação imposta pelo Banco Mundial, que exige especificações técnicas que só as grandes usinas podem atender. Tal medida, que fere os interesses sociais e econômicos do Brasil, foi implantada após o início do Proálcool.

Conclusão

Diante de tanta novidade e de tantas informações desencontradas, precisamos conhecer melhor o assunto biocombustível, questionar, buscar dados científicos seguros... olhos e ouvidos abertos! Não podemos aceitar
pacotes de informações manipuladas pelo interesse econômico petrolífero.

Embora veículos movidos a biocombustível pareçam novidade na tecnologia automobilística, sua proposta é antiga. Em 1897, Rudolf Diesel utilizou óleo de amendoim em seu motor ‘diesel’. Henry Ford acreditava no etanol como o combustível do futuro. Seu Ford T de 1908 – modelo que imortalizou o uso do automóvel – funcionava tanto com o biocombustível etanol como com gasolina.

Ana Echevenguá, advogada ambientalista, coordenadora do programa televisivo Eco&Ação-Ecologia e Responsabilidade (http://www.ecoeacao.com.br) e colaboradora e articulista do EcoDebate.Publicado originalmente em www.EcoDebate.com.br - 14/06/2007

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

Nova lei regulamenta a atividade de Motofrete

Com a nova lei, a tendência é aumentar a segurança dos motofretistas*. Capacete, antena, mata-cachorro e baú foram regulamentados pelo Conselho Nacional de Trânsito (CONTRAN).

São Paulo, 03 de janeiro de 2008 - Os motoboys de São Paulo terão que se adequar à nova lei que regulamenta a atividade, numa busca objetiva por melhores condições de trabalho e aumento da segurança. Publicada no Diário Oficial da Cidade de 28 de julho de 2007, a Lei n. 14.491 entrou em vigor em 01 de janeiro de 2008.

A nova legislação bastante similar ao decreto de 2005, que regulamentava o setor, estabelece que os profissionais do setor, cerca de 120 mil na cidade, deverão estar cadastrados junto à Secretaria Municipal de Transporte, que as empresas prestadoras de serviços de motofrete deverão oferecer seguros de vida e invalidez aos funcionários e que as motos terão equipamentos de segurança obrigatórios.

A principal novidade é que, pelo convênio com a Secretaria de Segurança Pública do Estado, a Polícia Militar vai auxiliar na fiscalização. O objetivo principal da nova lei é aumentar a segurança dos motofretistas. Além do capacete, já de uso obrigatório pelos motociclistas, os profissionais terão que usar as antenas de proteção contra linhas de pipa, mata-cachorro que protege os membros inferiores, e o baú regulamentado também pelo CONTRAN, através da Resolução 219/07.

O uso do baú adequado é importante para minimizar os danos de um acidente ao motociclista profissional, já que a carga, mal acondicionada, pode acertar o condutor e agravar os ferimentos.

Pela mesma razão, só poderão ser usadas motos com até oito anos de uso, excluído o ano de fabricação. As motocicletas mais novas, além de mais seguras, também apresentam menor quantidade de emissão de poluentes, agredindo menos o meio ambiente. As motos precisam ainda ser originais de fábrica, ter pelo menos 120 cilindrada e ser licenciadas como veículo de categoria aluguel destinado ao transporte de carga.

Um convênio entre a Prefeitura e o Governo do Estado possibilitará que a Polícia Militar auxilie na fiscalização dos Motofretistas.

Os motociclistas profissionais, além dos equipamentos de segurança, devem ter o Cadastro Municipal de Condutores (Condumoto), expedido pela Secretaria Municipal de Transportes, moto registrada em seu nome no caso de autônomos, e apresentar certificado negativo de antecedentes criminais.

Já as empresas de motofrete terão que oferecer seguro de vida de no mínimo R$22.954,00 e seguro de invalidez de pelo menos R$11.487,00 a seus funcionários. As empresas que oferecem motos aos seus colaboradores poderão licenciá-las em nome de mais de um condutor.

Atualmente, as motocicletas representam cerca de 10% dos veículos que circulam na Capital, embora 25% das mortes no trânsito sejam de motociclistas. Em média morrem, a cada dia, dois pedestres, um motorista, e um motociclista na cidade.

A Prefeitura vem adotando outras medidas para garantir maior segurança aos motociclistas e motofretistas, além da Faixa Cidadã, testada no corredor Eusébio Matoso/Rebouças/Consolação, foi implantada uma Faixa Exclusiva para motos na avenida Sumaré, medida que poderá ser estendida a outras vias.

Para Lucas Pimentel, presidente da ABRAM a experiência que tem se mostrado mais positiva é a Faixa Exclusiva, visto que, em razão de permitir o motociclista circular em espaço reservado exclusivamente para ele.

A Prefeitura através da CET (Companhia de Engenharia de Tráfego) também instituiu o Selo Trânsito Seguro, conferido a empresas que comprovem seu compromisso com a gestão de segurança no Trânsito. Neste sentido a ABRAM que já havia lançado em 2005 a Campanha de Responsabilidade Social do Setor de Duas Rodas, que confere as empresas o Selo “Empresa Parceira do Motociclista” às empresas que possuem entre outras atribuições uma política de segurança no Trânsito, outra iniciativa da ABRAM é o Programa de Prevenção de Acidentes com Motocicletas (PRAM), por isso a associação tem apoiado a iniciativa da Prefeitura, pois acredita ser um reforço que contribuíra para segurança dos motociclistas no trânsito, ocasionando assim a adesão de novas empresas de motofrete ao Programa de Prevenção de Acidentes com Motocicletas da ABRAM.

ATENÇÃO: As punições para quem descumprir a nova legislação incluem multas, que variam de R$19,15 a R$153,26 e podem dobrar em caso de reincidência, a cassação do CONDUMOTO e da Licença de operação do serviço de motofrete, e até a apreensão da motocicleta.

SAIBA COMO SE ADEQUAR:
1 - CREDENCIAMENTO PESSOA JURÍDICA (empresa)
2 - CADASTRO DO CONDUTOR (motofretista)
3 - CADASTRO DA MOTOCICLETA. (veículo)

Conheça na íntegra: LEI Nº 14.491, DE 27 DE JULHO DE 2007.

*MOTOFRETISTA / MOTOFRETE: É o serviço de entrega e coleta de pequenas cargas por meio de motocicletas no Município de São Paulo poderá ser executado mediante prévia e expressa autorização da Prefeitura, nos termos da Lei 14.491 de 27 de julho de 2007, regulamentada pelo Decreto 48919 de 9 de novembro de 2007.

Colaboração: Motoboy Magazine - Edição 74

Transposição do rio São Francisco

Neste apresentamos o site mantido em pról da luta contra a transposição do rio São Francisco. Nele estão documentados todas as cartas enviadas ao governo federal e dele recebida sobre a questão. Apresenta ainda depoimento de diversas personalidades e entidades. Assim como a linha cronológica dos acontecimentos.

Nossa intenção não é apenas apoiar a causa. Queremos sim, ser mais uma fonte de divulgação, para que você leitor possa obter maiores informações sobre a questão. Pois a mídia, não tendo mais interesse na matéria, tenta desviar sua atenção para outros assuntos.

Site: www.umavidapelavida.com.br

sexta-feira, 26 de outubro de 2007

"Droga de Elite"

Classe A é maior consumidora de drogas, revela FGV
http://noticias.br.msn.com/brasil/artigo.aspx?cp-documentid=5619810#toolbar

Um estudo da Fundação Getúlio Vargas (FGV) mostra que jovens da classe A são os maiores consumidores de drogas do País. O economista Marcelo Néri batizou o estudo divulgado hoje de "Droga de Elite", em referência ao filme "Tropa de Elite", de José Padilha. "O retrato é muito semelhante daquele traçado no filme. Quem consome drogas é o garoto de elite, são jovens homens brancos solteiros de alta renda que vivem nas capitais do Sudeste e freqüentam uma instituição privada de ensino: 62% da classe A, com cartão de crédito", disse.
O estudo mostra ainda que apenas 0,06% da população do Brasil declarou consumir drogas. Em valores atualizados, a despesa média com drogas das pessoas que declararam ao Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) consumir maconha, lança-perfume ou cocaína é de R$ 75 por mês. "Nossa política contra o tráfico enfatiza muito a questão da oferta, e pouco a questão do consumidor, como o filme chama a atenção. É preciso ter alguma política sobre isso, seja a liberação do consumo de drogas leves, seja uma repressão. Acho que estamos no pior dos mundos."

Ele interpretou como "efeito colateral da droga" o fato de o estudo ter detectado, entre esses jovens, alto índice (11,8%) de atraso no pagamento de aluguel e de moradia em áreas onde foram relatados problemas com violência na vizinhança (63%). O perfil do consumidor de droga no País foi traçado com base em dados da última Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) do IBGE, de 2003.

O valor do conhecimento...

Introdução de um artigo retirada do Instituto Teológico Franciscano do Rio de Janeiro

Para o texto completo, entre muitos outros, acesse o link abaixo:
http://www.itf.org.br/index.php?pg=conteudo&revistaid=4&fasciculoid=14&sumarioid=103


BABEL E PENTECOSTES (Gn 11,1-9 e At 2,1-13)
Paulo F. Valério

Na profusão das línguas, a difusão da multiforme ação de Deus na história e a confusão dos projetos humanos de dominação Introdução Embora a Escritura não estabeleça nenhum paralelo literário ou teológico explícito entre Gn 11,1-9 e At 2,1-13, a interpretação cristã[1] tem descoberto razões para fazer certa aproximação teológica entre estes dois textos: praticamente todos os comentários do Gênesis aludem ao texto de Atos dos Apóstolos (e vice-versa)[2].

Gênesis exemplificaria o castigo pela revolta pecaminosa dos seres humanos contra Deus, que lhes confunde as línguas, de modo que aqueles que buscavam unidade vêem-se agora dispersos numa desordem na qual não mais se entendem mutuamente[3], enquanto Atos seria a restauração daquela unidade e entendimento mútuo que se perderam: O novo Pentecostes é uma Babel ao contrário. Em Babel…, um espírito contrário ao projeto de Deus acabou planejando a construção idolátrica com a conseqüente dispersão dos homens. Em Pentecostes, o Espírito Santo protagoniza um projeto que é capaz de unir a todos[4].

J. Dupont considera sugestivo o paralelo, e argumenta que o fundamento desta aproximação estaria mais nas situações do que nos textos: O relato dos Atos não revela nenhuma alusão que permita pensar que Lucas e os primeiros cristãos já haviam interpretado o mistério de Pentecostes em contraste com a história de Babel[5].

No presente texto, sem pretender anular a compreensão supramencionada, propomo-nos seguir linha de interpretação diversa, levando em conta outros elementos. Apresentamos, de forma concisa, a composição literária dos textos, situando-os em seus respectivos contextos literários. Quanto ao ambiente vital (Sitz im Leben), aludimos apenas o texto de Gênesis, dado que o ambiente vital de Atos é mais conhecido[6]. A aproximação do dois textos, no nível teológico, enfatiza mais o texto de At, e procura ver, na profusão (não tanto ‘confusão’) das línguas, a dispersão como difusão da multiforme ação salvífica de Deus na história, e a confusão efetiva dos projetos de dominação do ser humano.

quinta-feira, 25 de outubro de 2007

Brasileiros descobrem 'reservatório' de células-tronco em cordão umbilical

Brasileiros descobrem 'reservatório' de células-tronco em cordão umbilical
Equipe da USP identificou fonte nova e abundante desse material, normalmente descartado nas salas de parto
Herton Escobar

Cientistas brasileiros descobriram uma nova fonte de células-tronco do cordão umbilical humano que poderá alterar a maneira como esse material é tratado nas salas de parto dos hospitais. Muitos serviços já oferecem o congelamento do sangue do cordão, que contém células-tronco hematopoéticas (precursoras das células sanguíneas) e pode ser usado em transplantes de medula para o tratamento de doenças como a leucemia. O cordão umbilical em si é jogado fora. A nova pesquisa, porém, mostra que ele está repleto de células-tronco de outro tipo, chamado mesenquimal, também com grande potencial terapêutico.“O recado fundamental é ‘não jogue fora o cordão’”, diz a geneticista Mayana Zatz, que coordenou a pesquisa na Universidade de São Paulo (USP). As células-tronco mesenquimais (CTMs) estão entre as mais versáteis das células-tronco adultas (de origem não embrionária). Podem formar osso, gordura, cartilagem, músculo e até neurônios, segundo alguns trabalhos.

Muitos cientistas esperam um dia aproveitar essa plasticidade no tratamento de doenças e lesões - por exemplo, na recuperação de corações enfartados e na reconstrução de tendões e ossos.As pesquisas, porém, necessitam de uma quantidade grande de células. No organismo adulto, as CTMs são encontradas em vários tecidos, mas principalmente na medula óssea e no tecido adiposo (gordura) - tanto que muito material para estudo é obtido em clínicas de lipoaspiração. As células podem também ser obtidas de pacientes por punção da medula óssea, mas este é um método invasivo e com possíveis complicações.O cordão umbilical aparece agora como uma opção farta, indolor e de fácil obtenção. Bastam 10 centímetros (o cordão humano tem em média 40 cm) para obter uma grande quantidade de células-tronco mesenquimais, segundo Mariane Secco, primeira autora do trabalho, que fez a pesquisa como parte de seu doutorado no Centro de Estudos do Genoma Humano da USP.

Os resultados da pesquisa, anunciados ontem, foram publicados na revista Stem Cells, uma das mais prestigiadas da área. Os pesquisadores trabalharam com dez cordões e conseguiram estabelecer linhagens de CTMs a partir de todos eles. Já no caso do sangue de cordão, o rendimento foi muito inferior: das mesmas dez amostras, só uma apresentou células-tronco mesenquimais (o que não invalida seu potencial como fonte de células-tronco hematopoéticas).Assim como o sangue de cordão é congelado após o parto, afirma Mayana, seria importante guardar também o cordão - ou, mais especificamente, as células-tronco mesenquimais contidas nele. O processo não requer tecnologia avançada e poderia ser praticado em qualquer hospital. Estudos passados já haviam mostrado a presença de CTMs no tecido do cordão, mas não em número suficiente para justificar o congelamento ou como uma fonte viável para pesquisa. “Estamos falando, literalmente, de aproveitamento de lixo”, afirma Mayana, referindo-se à maneira como o cordão é descartado após o parto. “Estamos jogando fora a fonte mais rica de células-tronco mesenquimais.”Ela ressalta que ainda são necessárias muitas pesquisas para transformar essas células em ferramentas terapêuticas de fato. O estudo apenas identifica o cordão umbilical como fonte de CTMs.

Ainda assim, as perspectivas são grandes. Enquanto as células do sangue podem ser aplicadas apenas no tratamento de doenças sanguíneas, as mesenquimais oferecem um cardápio maior de aplicações. Equipes da USP já estão testando as células em camundongos e cachorros, incluindo vários modelos de distrofias musculares.